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Mujō

Impermanência

Nada permanece: tudo que nasce, passa. Não como pessimismo, mas como o fato que devolve peso e urgência ao presente. Raiz budista (anicca).

Contraponto: ver memento-mori e a vaidade de Qohélet/Eclesiastes. Racha: pro budismo a impermanência revela o vazio do eu; pro cristão, aponta o eterno por trás do passageiro.

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A teia (o que toca isto)
Matsuo BashōKamo no ChōmeiDōgenGenshinHakuin EkakuIkkyū SōjunMiyamoto MusashiRennyoSen no RikyūRyōkanSaichōSaigyōTakuan SōhōA bananeira que se rasga — o nome, a inutilidade e a beleza da solidãoA criança abandonada no rio Fuji — a beleza que dói e a compaixão que não bastaA trilha estreita ao interior — a vida como viagem da eternidadeAdoecido em viagem — os sonhos que vagam pelos campos secosO velho tanque e a rã — o instante comum virando eternidadeO apego ao desapego — amar a própria pobreza é ainda apego?A cabana de dez pés — a vida portátil e a liberdade de quase nada possuirOs cinco desastres — o dossiê contra a loucura de se apegar a casasO rio que passa e a espuma que some — a impermanência dos homens e das casasA fumaça do incenso — a impermanência aos sete anosO poema da mãe — não te mandei pra issoO Dante do Japão — pintar o inferno pra mover o coraçãoEle volta pra guiar a própria mãe na morteA confraria do bem-morrer — ninguém morre sozinhoA caveira no Ano-NovoDuas refeições por dia pra um homem que morreu em 835Morrer virado pra luz — a boa morte do santo do mercadoO Caminho de Andar Sozinho — os 21 preceitos de sete dias antes da morteOssos brancos — a carta lida em todo funeralAs folhas sacudidas sobre o caminho varrido — a perfeição que inclui o imperfeitoUma vez, um encontro — o chá que não se repete nuncaAs ipomeias cortadas e a flor única — o wabi como subtraçãoO último chá e o poema à adaga — morrer sem tremer sob o tiranoO broto de bambu e os piolhos ao sol — a ternura por tudo que viveA folha que cai mostrando as duas faces — o poema de morte e a carta do terremotoO voto da cabana — "o mais tolo dos tolos"O coração tingido de flores — o desapego que não chega ao fundoO coração que renunciou ao sentir — a narceja no brejoMorrer sob as flores — o pedido que a morte atendeuAs lágrimas de Ise — chorar diante do sagrado sem nomeA renúncia aos 22 anos — largar a espada, a corte e a filhaO último caractere: 夢fudōshin 不動心 · fudōchi 不動智 — a mente que não parafueki-ryūkō 不易流行 — o eterno e o mutável juntosichigo ichie 一期一会 — um encontro, uma vez na vidaichigū wo terasu 一隅を照らす — iluminar o seu cantomappō 末法 — a era em que a salvação ficou difícilmono no aware 物の哀れ — a beleza pungente do que passasabi 寂 — a beleza da solidão e do desgasteshikantaza 只管打坐 — apenas sentartonsei 遁世 — deixar o mundo, a via da reclusãouji 有時 — ser-tempowabi 侘 — a beleza da pobreza e da faltaA escada da beleza — subir a Deus pela beleza das criaturas (*per visibilia ad invisibilia*)O homo viator — o homem de caminho, a vida como peregrinaçãomemento mori — "lembra-te de que és pó"O sacramento do momento presente — Deus que se dá em cada instante

Fonte: conhecimento/conceitos/mujo.md