翻訳不能 Não Tem Tradução Central de Produção

Tonsei

Deixar o mundo / a reclusão, o tornar-se eremita

遁世 (tonsei) é "fugir do mundo", "retirar-se do século" — o abandono da vida social, pública e mundana para viver recluso, como eremita ou monge errante, longe da corte, da carreira, dos laços e do jogo dos homens. O kanji 遁 é "fugir, esquivar-se, retirar-se"; 世 é "o mundo, a era, a sociedade". Um homem que faz tonsei é um tonseisha (遁世者), um "recluso", alguém que saiu do mundo — não necessariamente para um mosteiro de regra, e sim para a cabana na montanha, a peregrinação a pé, a solidão buscada. É a figura de vida que atravessa a via da arte no banco: Saigyō, o guerreiro de elite que largou a corte aos 22 e virou monge-poeta errante, é o arquétipo do tonsei; e Kamo no Chōmei, que abandonou tudo pela cabana de três tatames do Hōjōki, é o outro grande retrato — o recluso que descreve a própria reclusão. É a raiz do ideal do poeta-eremita que Bashō herdaria séculos depois.

Não confundir com sute 捨. O sute é o largar geral — jogar fora o corpo-e-mente, os apegos, as posses, até o desejo de se iluminar (o abandono radical de Ippen); é um ato interior de desprendimento, que se pode viver em qualquer lugar. O tonsei é mais específico e mais concreto: é largar o mundo social para viver de fato retirado — a mudança de endereço da alma, a saída da praça para a montanha. Um pode existir sem o outro: dá para fazer sute (esvaziar-se por dentro) sem tonsei (sem sair de casa), e dá para fazer tonsei (retirar-se) carregando ainda muito apego (o próprio Saigyō confessa, em saigyo_apego_as_flores, que se recolheu do mundo e ainda ficou "tingido" pela beleza das flores — fez o tonsei, mas o sute não chegou ao fundo). São primos: o tonsei é a via de vida do recluso; o sute é o desapego interior que essa via busca. Toca também hijiri 聖 (o santo-andarilho sem templo fixo) e mujō 無常 (a consciência da impermanência que empurra tantos ao tonsei — sair de um mundo que se percebe fugaz).

Contraponto: a fuga mundi cristã — a longa tradição do retiro do mundo: os Padres do Deserto (Antão do Egito e os anacoretas que fugiram das cidades para o deserto, séc. III-IV), a vida monástica e eremítica, a cela, a clausura, o "sair do mundo" para buscar a Deus. A estrutura é gêmea: retirar-se da sociedade, dos laços, da carreira, para uma vida de solidão e busca. Racha: o retiro cristão é para encontrar Deus — o eremita foge da cidade para o deserto porque lá espera um Tu no silêncio; a fuga do mundo é, no fundo, uma corrida em direção a Alguém (Antão vai ao deserto atrás do "único necessário", a cela é câmara nupcial). O tonsei budista retira-se para o vazio — para soltar os apegos, aquietar o coração, dissolver o eu, sem um destinatário à espera no silêncio; a solidão é morada, não encontro. O mesmo abandonar a praça e o mundo; num caso a montanha está habitada por uma Presença que se busca, no outro a montanha é o quieto do vazio (ku) em que o eu se apazigua. O ato de sair do mundo rima fortíssimo; o que (ou Quem) se procura no retiro é o timbre.

Mestre: saigyo (e Kamo no Chōmei; ressoa em basho, ryokan, ippen)

Fonte: conhecimento/conceitos/tonsei.md