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Sute / sutehijiri

Jogar fora / abandonar — o santo do abandono

O núcleo da espiritualidade de Ippen e o seu epíteto. (sute) é "jogar fora, largar, abandonar" — e Ippen fez do descarte o caminho inteiro: largou clã, casa, mulher, posses, templo, e por fim os próprios escritos (queimados dias antes de morrer). O epíteto 捨聖 (sutehijiri) é "o santo do descarte". A frase que resume o método: jogar fora o corpo-e-mente, e jogar fora até o jogar fora — largar inclusive o desejo de se iluminar, porque se a graça de Amida já está consumada (tariki radicalizado), não sobra nada de meu a segurar. O abandono não como perda, mas como a leveza de quem não carrega refém nenhum.

Tensão interna do banco: conversa por oposição com mottainai 勿体無い (o "não desperdice, tudo tem valor, não jogue fora") — o mottainai venera o que se tem; o sute venera o soltar. Não se contradizem: cuidam de coisas diferentes (a gratidão pelo dado × a liberdade do desapegado). Guardar a tensão é rico.

Contraponto: ver francisco-pobreza — a Senhora Pobreza de Francisco de Assis, a rima mais forte (dois mendicantes itinerantes que fizeram do despojamento o caminho). Racha: em Francisco a pobreza é seguir Cristo pobre por amor a uma Pessoa; em Ippen o 捨 esvazia o eu pro Nome operar. Parentesco com o 夢 do Takuan (não deixar monumento) e com a "palha" de Tomás de Aquino.

Mestre: ippen

A teia (o que toca isto)
Matsuo BashōKamo no ChōmeiEn no GyōjaIppenToyohiko KagawaKakure KirishitanYoshida KenkōMiyamoto MusashiSen no RikyūRyōkanSaigyōSatoko KitaharaSuzuki ShōsanSōgiYamamoto TsunetomoUchimura KanzōJusto Takayama UkonA bananeira que se rasga — o nome, a inutilidade e a beleza da solidãoA trilha estreita ao interior — a vida como viagem da eternidadeO eremita que fugia da fama — a vida errante e o Kōgaku-jiO apego ao desapego — amar a própria pobreza é ainda apego?A cabana de dez pés — a vida portátil e a liberdade de quase nada possuirOs cinco desastres — o dossiê contra a loucura de se apegar a casasVoltei de mãos vazias — olhos horizontais, nariz verticalA tábua contaminada — a recusa do favor do poderNem Buda nem eu, só a vozO oráculo de Kumano — crendo ou não crendoO mestre que queimou a própria obraO santo do abandono, sem lugar nenhumContra o apego — a ganância, a ostentação e o homem que junta o que a morte espalhaO Caminho de Andar Sozinho — os 21 preceitos de sete dias antes da morteO ladrão e a lua — quisera ter-lhe dado a lua da janelaO coração tingido de flores — o desapego que não chega ao fundoA renúncia aos 22 anos — largar a espada, a corte e a filhaA conversão — a moça culta e confortável tocada pela fé e virada do avessoA Cidade das Formigas — a moça rica que desceu à favela dos catadores e catou trapo com elesDe igual para igual — não a dama que dá de cima, a irmã que mora junto e cata juntoA vida oferecida — a tuberculose, o sofrimento dado pela comunidade, a morte aos 28O samurai que virou monge — largar a espada no auge da vitóriaA disciplina de ceder o verso — comunhão ou apagamento de si?A escola das vozes cedidas — Shōhaku, Sōchō e o legadoDo nada à mesa dos imperadores — a disciplina que ergue quem não tem sangueTrês poetas, cem versos, nenhum dono — a cena da Minase SanginA morte negada — quis seguir o senhor e foi proibidoA escolha de 1587 — largar o feudo para não largar CristoO chá e a cruz — o discípulo de Rikyū que soltou de verdadedokkō 独行 — o andar sozinhohijiri 聖 — o santo sem templorenga 連歌 — a poesia encadeada, a via feita a muitas mãosshugen 修験 — o poder que a prova rendetaigu 大愚 — o Grande Tolotonsei 遁世 — deixar o mundo, a via da reclusãoFrancisco de Assis — a pobreza radical e o andarilho de Deus"que aproveita ganhar o mundo e perder a alma?" — o tesouro que não se compraO homo viator — o homem de caminho, a vida como peregrinaçãoMorrer-para-viver — o morrer-para-si para viver em Cristo

Fonte: conhecimento/conceitos/sute.md