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Francisco de Assis

Francisco de Assis / pobreza radical / itinerância

Francisco (1181/82–1226) despe-se diante do bispo, devolve ao pai até as roupas, e desposa a Senhora Pobreza (Domina Paupertas, o Sacrum Commercium). O fundo bíblico: Mt 19,21 ("vende tudo o que tens e dá aos pobres… e segue-me"), Lc 9,3 ("nada leveis para o caminho"), Lc 9,58 ("o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça"). Mendicante, itinerante, alegre — os frades como jograis de Deus (ioculatores Domini), o louvor que dança (eco de Davi diante da Arca, 2Sm 6,14-16).

Rima com: sute / Ippen — dois mendicantes itinerantes quase contemporâneos (Francisco †1226, Ippen †1289), sem contato histórico nenhum, que fizeram do despojamento total o próprio caminho: largar tudo, andar sem teto, louvar com o corpo. A rima mais forte do banco entre um mestre japonês e um santo católico. Também toca ryokan (a pobreza-ternura do eremita-poeta) — território §5 já cravava Ryōkan ⟷ Francisco.

Racha: em Francisco a pobreza é seguir Cristo pobre, imitar a kenosis de Fp 2 por amor a uma Pessoa — o despojamento é relação, é núpcias com a Pobreza que é Cristo. Em Ippen o 捨 (abandono) esvazia o eu pra o Nome operar — o mesmo gesto de mãos vazias, motivação de fundo diferente. E a alegria: Francisco dança diante de Alguém; o odori nembutsu dissolve o dançarino no Nome.

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Fonte: conhecimento/catolico/francisco-pobreza.md