Nanakorobi yaoki
O provérbio japonês da perseverança, colado à figura popular de Daruma: 七転び八起き — "cair sete vezes, levantar-se oito". A aritmética é de propósito torta (por que oito se caiu sete?): porque se conta um "levantar" a mais — o primeiro erguer-se, o do berço, ou simplesmente porque o número que importa é o de vezes que você se põe de pé, não o de quedas. O que define não é cair; é parar de levantar. A imagem vem do boneco Daruma (okiagari-koboshi 起き上がり小法師), redondo, sem pernas, com o peso no fundo: por mais que você o empurre ou o derrube, ele sempre volta a ficar em pé. É o Bodhidharma dos nove anos de parede virado talismã de resiliência — dado de presente no Ano Novo, com os olhos em branco: pinta-se um olho ao fazer um voto/meta, e o outro quando se cumpre.
No banco: a face popular e calorosa de Bodhidharma — o asceta feroz de olhos arrancados que a cultura japonesa transformou em símbolo doméstico de firmeza. Rima com o fudōshin 不動心 (o coração que não se abala) e o gaman (aguentar com dignidade), mas com um sabor próprio: aqui não é não cair, é cair e reerguer-se, indefinidamente.
Contraponto: Provérbios 24,16 — "pois sete vezes cai o justo, e se levanta" (ki-sheva yipol tzaddik va-qam). Rima quase literal, a mesma contagem da perseverança. E o Sl 37,24: "ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor o segura pela mão". Racha: no provérbio bíblico o justo se reergue porque Deus o sustém — a mão de Outro o ampara; no Daruma o boneco se reergue pelo próprio centro de gravidade, a firmeza é auto-suficiente, não apoiada. O mesmo "levanta-te de novo"; a mão que segura, ou a ausência dela, difere.
Mestre: daruma
Fonte: conhecimento/conceitos/nanakorobi-yaoki.md