Eu passava 5 horas por dia no Instagram. Hoje passo 9 minutos.
[direto na câmera, sem floreio]
Cinco horas por dia. Era isso que o meu próprio celular me mostrava, todo domingo, naquele relatório que a gente finge que não vê.
[pausa]
Cinco horas. Todo dia. Faz a conta do ano e dá mais de dois meses. Inteiros. Acordado, rolando o dedo.
[pausa]
E o pior não era o tempo. O pior era a mão. A mão ia sozinha pro celular. No sinal vermelho, na fila do banco, no meio de uma conversa com quem tava do meu lado. Eu desbloqueava sem ter decidido desbloquear.
[pausa]
Hoje são nove minutos.
[pausa]
E não foi força de vontade, porque força de vontade eu não tenho. Eu sou o cara das cinco horas, lembra? Foram duas coisas bobas.
A primeira: parei de tentar "usar menos" e comecei a caçar o instante em que a mão sai. É ali, antes da tela acender. Se você pega esse instante, ganhou. Se você espera a tela acender, já era, o feed te come.
A segunda: botei uma coisa pra ocupar o buraco. Porque quando as horas voltam, aparece um vazio. E vazio a mão preenche com o que estiver mais perto. Se não tiver nada por perto, ela volta pro celular.
[pausa]
Não tô prometendo que você vai chegar a nove minutos. Talvez você chegue a uma hora. E uma hora já muda a tua vida.
O ponto não é o número. O ponto é quem decide: você, ou a tua mão.
[pausa]
Se você quiser o caminho que eu segui pra virar esse número, o primeiro passo tá fixado aqui embaixo.
[pausa]
Me conta aqui embaixo qual é o teu número. Aquele do relatório de segunda que você não quer abrir. Escreve. Encarar o número já é o primeiro minuto de volta.
Fonte: roteiros/shorts/ntt_reel_02_5h_9min.md