Roteiro do Desafio — Fora do Automático (7 vídeos diários + setup)
POP 02 adaptado (
/roteiro) · Data: 23/07/2026 · Consome a Furadeira MA deconcepcao-fora-do-automatico.md, a voz deFontes/voz_guilherme.md, as leis da copy (sem travessão/antítese, hook visceral antes do dado, kanji-palavra, sem "milenar", zero emoji, limite ético). Estado: PILOTO (Dia 0 + Dia 1) para travar o molde. Dias 2-7 aguardam o "go" do molde.
Nota de formato (por que não é o 8-blocos padrão)
O POP 02 clássico é uma aula longa única em 8 blocos. O Fora do Automático é 8 vídeos curtos: o setup (Dia 0, 4-5 min) e 7 dias (2-3 min cada), no modelo "aula curta + prática do dia". O espírito do POP 02 é mantido e redistribuído: a validação da compra vai no Dia 0; o quick win antes do atrito é a própria rep do Dia 1 (resultado no primeiro impulso vencido); o anti-reembolso por valor imediato é o placar do próprio aparelho; o open loop fecha cada dia apontando pro seguinte. Não há pitch (B7.5): o desafio É o produto; o Dia 7 abre um open-loop suave pro "e agora?" sem vender nada duro (church-quiet, telos invisível).
Fronteira (produto ≠ canal)
O canal grátis entrega o insight; o desafio entrega a aplicação: ordem, estrutura, placar e a mão do Guilherme guiando a rep do dia. Aqui pode dar o passo a passo completo; é o que a pessoa pagou pra ter.
O molde do vídeo diário (Dias 1-7)
Cada dia é curto e tem cinco tempos. Falado em teleprompter, na voz confessional-guia ("a gente tá junto"):
- A chamada (~15s): nomeia o dia e a pausa. Valida ("você abriu o dia X, isso já quer dizer uma coisa").
- A aula curta (~60-90s): o que é a pausa do dia e por que ela funciona. Hook visceral primeiro, o porquê depois. Kanji = a palavra que nomeia, dita e traduzida sem virar aula de japonês.
- A prática do dia (~45-60s): o gatilho-alvo do dia + a Regra Kizuki aplicada nele (percebe, respira, segura 90s) + a adição (o que entra no espaço). Concreto, com cena. Sempre com uma micro-vitória possível HOJE (não só "amanhã de manhã"): a pessoa assiste a qualquer hora e precisa sentir o método funcionar na pele no mesmo dia.
- A folha (~15s): manda registrar uma linha na folha do dia (a auditoria matéria-e-espírito: como estava o corpo, o sono, a fome).
- O gancho (~15s): fecha apontando pro dia seguinte, sem entregar o conteúdo dele.
Duração-alvo: 2-3 min. Se um dia pedir mais, deixa respirar; nunca espremer a fala pra caber no relógio.
Mapa dos 8 vídeos (destilado da Furadeira)
| Vídeo | Pausa (kanji · palavra) | Gatilho-alvo | Prática central | Adição | Gancho pro próximo |
|---|---|---|---|---|---|
| Dia 0 setup | o Placar | nenhum | print do relatório + aplicar o wallpaper + a Regra Kizuki apresentada | — | "amanhã a gente ataca a primeira hora do dia" |
| Dia 1 | 間 (ma) · o intervalo | acordar | a primeira hora sem a primeira olhada | o café/janela no lugar do feed | "amanhã: a onda, e como ela desce sozinha" |
| Dia 2 | 我慢 (gaman) · segurar a onda | o impulso, onde vier | os 90 segundos como prática consciente | respirar contado no lugar de pegar | "amanhã: a caça no caminho de sempre" |
| Dia 3 | 木漏れ日 (komorebi) · a luz entre as folhas | tédio em trânsito/fila (o vão de espera) | caçar um instante real no trajeto, no lugar do feed | olhar o mundo no lugar da tela | "amanhã: a mesa" |
| Dia 4 | 一期一会 (ichigo ichie) · este encontro, único | a mesa | uma refeição inteira sem aparelho | presença em quem está ali | "amanhã: a hora que voltou" |
| Dia 5 | 勿体ない (mottainai) · não desperdiçar | o sofá da noite | 30-60 min resgatados pra uma coisa largada | o livro/a conversa no lugar do scroll | "amanhã: dormir sem a última olhada" |
| Dia 6 | 数息観 (susokukan) · contar a respiração | a cama | a respiração contada pra dormir; a última olhada mais cedo | sono no lugar da tela | "amanhã: o dia inteiro, e a prova" |
| Dia 7 | 気づき (kizuki) · perceber | todos | o dia inteiro percebendo + o print final lado a lado com o do dia 0 | a vida ocupando o espaço | open-loop suave: "e agora, com as horas de volta?" |
PILOTO · DIA 0 — O Placar (setup, ~4-5 min)
[Guilherme, câmera, direto. Sem trilha grandiosa. Tom de quem senta do seu lado.]
Bem-vindo. Você acabou de fazer uma coisa que a maioria não faz: parou de brigar com força de vontade e resolveu testar um método. Isso já muda o jogo, e eu vou te mostrar por que nos próximos 7 dias.
Antes de tudo, quero ser honesto com você sobre o que isto é e o que não é. Aqui a gente não vai largar o celular. Você precisa dele pro trabalho, pra família, pra vida. O que a gente vai largar é o automático. Aquele movimento da mão que vai pro bolso sem você mandar. Dezenas de vezes por dia.
[O recado da calma. Tom mais baixo, sem pressa. É pra desafobar quem chegou acelerado.]
E já que a gente vai passar esses 7 dias junto, deixa eu te dar o primeiro recado, e ele é pros apressados. Eu era o pior deles. Você comprou isso querendo resolver tudo de uma vez, hoje. Eu entendo essa vontade, mas ela é parte do problema, e eu preciso te dizer isso com carinho: não funciona assim, e não fica assim.
Um bebê não nasce em um mês se você botar nove mulheres pra fazer o serviço. Tem coisa que é dia após dia, e essa é uma delas. São sete pausas, uma por dia, e elas foram feitas pra entrar uma de cada vez. Se você tentar fazer as sete hoje, você desiste na quarta. Foi o que sempre aconteceu, com você e comigo.
Então respira. O teu único trabalho hoje é o de hoje. Nada além. E o de hoje é montar o placar. A gente tem a semana inteira, e ela começa devagar de propósito.
Hoje, no dia 0, a gente não vai fazer nenhuma pausa ainda. É só montar o placar. Leva uns quinze minutos e é a coisa mais importante da semana inteira, porque sem o placar você não tem como saber que venceu.
[Passo 1 — o print]
Primeira coisa: pega o teu celular e abre o relatório de tempo de tela. No iPhone fica em Ajustes, Tempo de Uso. No Android, em Bem-estar Digital. Se você não achar em trinta segundos, tem um guia de uma página só pra isso, chama O Relatório da Sua Vida, tá junto do seu material. Abre ele.
Achou o número da última semana? Tira um print. Agora. Esse número, que é feio, que aperta o peito quando chega no domingo, ele hoje é o teu ponto de partida.
E antes de você sentir vergonha do teu, deixa eu te mostrar o meu. Cinco horas por dia, só de Instagram. Cinco. Com quinze anos de Japão nas costas e a prateleira de práticas inteira na cabeça, a minha mão continuava indo sozinha pro bolso, todo dia, medida por esse mesmo relatório. Hoje ele marca nove minutos. Eu não tenho o print das cinco horas pra te mostrar, e o motivo é simples: ninguém fotografa o próprio fundo do poço.
Então guarda o teu print sem vergonha nenhuma. Daqui a 7 dias ele vai estar do lado do print novo, mostrando o que você fez. O juiz dessa história não sou eu, não é coach nenhum segurando régua. O juiz é o teu próprio aparelho.
[Passo 2 — o wallpaper]
Segunda coisa. No teu material tem um kit de papéis de parede, um pra cada dia, em três estilos. Escolhe o estilo que você gosta e coloca o do dia 1 na tela de bloqueio do teu celular. Como colocar tem um vídeo curtinho ali do lado, se você travar.
Por que isso importa. A tela de bloqueio é a tela que você mais olha na vida. Mais que a da sua mãe, mais que a do teu filho. Então ela vira a tua aliada. Toda vez que a mão for ao celular sem você decidir, é ela que vai estar lá, com a palavra do dia, te lembrando que a gente combinou uma coisa.
[Passo 3 — a regra]
Terceira e última coisa de hoje: decorar a única regra do desafio. Ela vale nos 7 dias e não muda nunca. É assim: quando você perceber a mão indo ao celular sem decisão sua, você faz três coisas. Percebe. Respira, contando três ciclos. E segura noventa segundos.
Só isso. A vontade de pegar o celular é uma onda. Ela sobe, aperta, e desce sozinha em uns noventa segundos. Passou a onda, pode pegar. Pode mesmo, eu não vou te proibir de nada. O método é simples: você vence noventa segundos de cada vez. Ninguém aguenta resistir o dia inteiro, e a boa notícia é que não precisa. E entre uma onda e outra, você vive normal.
[Fecho]
Então, recapitulando o dia 0: você printou o teu número de largada, colocou o papel de parede do dia 1, e decorou a regra dos noventa segundos. Marca na folha do dia 0 que você fez o setup. E é só.
Amanhã a gente começa de verdade, atacando o primeiro gatilho do dia. O mais teimoso de todos: a primeira olhada, antes mesmo de você levantar da cama. Te vejo no dia 1.
PILOTO · DIA 1 — 間 (ma), o intervalo (~3 min)
[Chamada · a pergunta do momento presente]
Dia 1. Eu não sei que horas você tá vendo isso. Pode ser cedo, pode ser meia-noite. Mas deixa eu te perguntar uma coisa, e responde de verdade, só pra você: hoje, quando você acordou, qual foi a primeira coisa que a tua mão pegou?
Pra maioria da gente, foi isto aqui. O celular. Antes de pôr o pé no chão, antes do café, antes de falar com quem dormiu do lado. A tela foi a primeira luz que entrou no teu dia. E eu falo isso sem julgar, porque foi exatamente assim comigo, por anos.
[Aula curta]
A pausa de hoje tem nome. Chama 間, lê-se "ma", e é a palavra japonesa pro espaço entre as coisas. Na música, é o silêncio que segura a nota antes da próxima. Numa casa, é o vão que deixa o cômodo respirar. O 間 é justamente esse intervalo, o espaço que dá sentido pro que vem depois. Sem ele, a nota não respira e o cômodo não respira.
E aqui tá o nó, o meu e o teu: a gente demoliu todos os intervalos do próprio dia. Cada espacinho de nada já tem dono, e o dono é o feed. Três segundos parado na fila, a mão já foi. Repara na diferença, porque ela é fina: o teu tempo continua ali, do mesmo tamanho de sempre. O que sumiu foram os intervalos dentro dele. O trabalho da semana é devolver esses intervalos, um por dia.
[A prática do dia · a vitória de HOJE]
E eu não vou te fazer esperar até amanhã pra sentir isso funcionar. A tua primeira vitória é agora, hoje, e é a mais simples de todas: a partir deste vídeo, você não vai mais conseguir pegar o celular sem perceber que pegou. Eu acabei de acender uma luz aí dentro que não apaga mais. Você vai estar no meio de um scroll e vai ouvir uma voz dizendo "olha, a mão foi de novo". Incomoda? Incomoda. Mas é a primeira vez em muito tempo que quem tá no comando é você, não a mão.
Então faz uma coisa comigo, agora, antes de sair daqui. Quando este vídeo acabar, deixa o celular em outro cômodo e fica dez minutos longe dele. Só dez. Vai fazer um café, olha pela janela, fala com alguém que tá em casa. E presta atenção na vontade de buscar o aparelho com a mão. Essa vontade é uma onda. Ela sobe, aperta, e se você não pega, ela desce sozinha. Quando você sentir ela descer, pronto: você acabou de provar pra você mesmo, no dia 1, que isto aqui funciona. Não na minha palavra. No teu corpo.
[O exame de amanhã · a adição]
Amanhã de manhã vem o teste do gatilho mais teimoso de todos, esse que a gente abriu lá em cima: acordar. Quando a mão for na mesa de cabeceira, você usa a regra. Percebe, respira contando três, segura. A primeira hora do teu dia sem a primeira olhada. Não a manhã inteira, não o dia inteiro. A primeira hora. E põe uma coisa no lugar, porque buraco vazio chama a mão de volta: o café que você toma prestando atenção no café, a janela, o corpo de quem dormiu do teu lado.
[A folha]
No fim do dia, abre a folha do dia 1 e escreve uma linha. Conseguiu ficar os dez minutos? Quantas vezes pegou o celular hoje já percebendo que tava pegando? Como tava o corpo quando a vontade veio? Não precisa ser bonito. Precisa ser verdade. É esse registro que segura a semana de pé.
[Gancho]
Amanhã a gente vai fundo naquela onda que você sentiu hoje. Ela tem nome, tem tempo certo de duração, e tem um jeito de deixar ela passar que não é apertar os dentes e aguentar. Te vejo no dia 2.
DIA 2 — 我慢 (gaman), segurar a onda (~3 min)
[Chamada]
Dia 2. Ontem eu te pedi pra ficar dez minutos sem o celular e sentir uma coisa subir e descer no peito. Você sentiu? Aquilo ali tem nome, e é o assunto de hoje. A gente chama de 我慢, gaman. Aguentar a onda.
[Aula curta]
Escuta isso, porque muda o jogo. A vontade de pegar o celular tem formato de onda. Sobe, chega num pico que aperta, e desce sozinha. E ela é mais rápida do que você pensa: em uns noventa segundos já passou. A gente jura que ela só cresce até a gente ceder, e é aí que a gente se engana, porque nunca deu esses noventa segundos pra ela. No primeiro aperto, a mão já foi. A gente perdeu a vida inteira pra uma onda que ia quebrar sozinha se tivesse esperado na praia.
Aqui não tem apertar os dentes e sofrer o dia todo. Isso tem outro nome, chama força de vontade, e força de vontade cansa e falha. Gaman cabe em noventa segundos. Só a onda. Uma de cada vez.
[A prática do dia · a vitória de hoje]
A prática de hoje dá pra fazer na próxima onda que vier, e ela deve vir daqui a pouco. Quando você perceber a mão indo, você não luta. Você conta. Percebe que a onda subiu, respira três ciclos, e conta os noventa segundos. Na primeira vez, pode olhar o relógio, pra você ver com os teus olhos que ela desce mesmo. Passou os noventa, a onda já virou outra coisa, bem menor. E aí, se ainda quiser pegar, pega, o método não te proíbe. Mas eu aposto que nove em cada dez vezes você nem vai mais querer.
A vitória de hoje é uma só: a primeira onda que você deixar quebrar sozinha, contando. Uma. Você não precisa vencer todas. Vence uma hoje e você já sabe fazer isso pro resto da vida.
[A folha]
Na folha do dia 2, marca quantas ondas você contou até o fim. Não quantas venceu com perfeição. Quantas você contou. Cada risquinho ali é um "eu escolhi", no lugar de um "a mão foi".
[Gancho]
Amanhã a gente sai de casa. Porque tem um lugar onde a mão vai sem falta e você nem percebe: a fila, o farol, a sala de espera. O tédio. E o Japão tem uma palavra bonita pro que você vai fazer com ele. Te vejo no dia 3.
DIA 3 — 木漏れ日 (komorebi), a luz entre as folhas (~3 min)
[Chamada]
Dia 3. Hoje a gente sai de casa. Tem um momento que vai acontecer sem falta, várias vezes no teu dia, e eu quero que você repare no que a mão faz nele. É a hora em que você para sem nada pra fazer: o farol vermelho, a fila do mercado, a sala de espera, aquele vão de dois minutos parado. Nesse instante, a mão foge pro celular antes de você mandar. Você nem sente a decisão. Ela já foi.
[Aula curta · komorebi]
Tem uma palavra japonesa que eu amo: 木漏れ日, komorebi. É a luz do sol que passa por entre as folhas das árvores e cai no chão toda picada. Eles acharam essa coisa digna de ter um nome próprio. Não que uma beleza dessas passe despercebida de todo mundo, não passa. Mas no corre do dia, com o feed puxando o teu olho o tempo todo, é raro você parar pra ela. Dar nome é um jeito de parar. Porque o que tem nome, a gente percebe. E o que a gente percebe, a gente vive.
O feed é o oposto do komorebi. Ele te joga mil imagens pra você não ver nenhuma. E o mais triste é onde ele cobra: justamente nesses vãos de espera, que eram o lugar onde um komorebi cabia.
Eu passei anos com a cabeça baixa em todo farol, toda fila. A cidade inteira passava por cima de mim e eu não via nada. Quando comecei a levantar o olho nesses vãos, descobri que o mundo tava cheio de coisa pra ver, e eu é que não tava lá.
[A prática do dia · a vitória de hoje]
A prática de hoje é uma caça, e você faz ainda hoje, na primeira fila, farol ou espera que aparecer. Quando o tédio bater e a mão pedir o celular, você usa a regra: percebe, respira, segura. E no lugar de abrir o feed, você caça um komorebi. Um só. Pode ser a luz batendo num canto, a cara de alguém passando, uma árvore que você nunca reparou, um som que sempre esteve ali. Acha uma coisa real, no mundo, com o olho.
A vitória de hoje é um único instante desses, caçado com o olho no lugar do dedão. Parece pouco. Não é. É a primeira vez que você devolve um vão de tédio pra tua vida, no lugar de entregar ele pro feed.
[A folha]
Na folha do dia 3, escreve o que você caçou. Uma linha. "A luz na parede do banco." Ou "o velhinho que sorriu na fila." O que foi. Amanhã você relê e vê que teve um dia com mais mundo dentro.
[Gancho]
Amanhã o desafio senta na mesa com você. E é o dia que mais mexe com as pessoas, porque é o dia em que os outros percebem. Te vejo no dia 4.
DIA 4 — 一期一会 (ichigo ichie), este encontro, único (~3 min)
[Chamada]
Dia 4. Pensa na tua última refeição. Almoço, jantar, café, tanto faz. O celular estava na mesa? Do lado do prato, virado pra cima ou pra baixo, mas ali, ao alcance da mão? Pra maioria da gente, estava. Ele virou um talher a mais.
[Aula curta]
Tem uma expressão no Japão: 一期一会, ichigo ichie. Quer dizer, mais ou menos, "este encontro, uma vez só na vida". Nasceu na cerimônia do chá, na ideia de que aquele encontro, com aquelas pessoas, naquela luz, não se repete nunca mais igual. Então você honra ele estando inteiro ali.
Agora pensa no jantar com o celular na mesa. Você está ali? Metade. A outra metade fica esperando a próxima notificação. E a pessoa na tua frente sente isso, mesmo que não fale. As crianças então sentem na hora. Elas sabem quando o pai ou a mãe está ali só com o corpo.
[A prática do dia · a vitória de hoje]
A prática de hoje tem hora marcada: a tua próxima refeição, seja qual for. Uma refeição inteira, do começo ao fim, sem o aparelho na mesa. Não no bolso no silencioso. Fora. Noutro cômodo, ou na bolsa, longe da mão. Se a onda vier, você já sabe: percebe, respira, segura. E olha pra quem está ali, ou pra comida, se você está sozinho, e come de verdade.
A vitória de hoje cabe numa refeição. Uma. E se tiver alguém na mesa, presta atenção, porque é bem capaz de essa pessoa comentar. Quando ela comentar, você vai entender no corpo por que a gente está fazendo tudo isso.
[A folha]
Na folha do dia 4, escreve como foi a refeição sem o aparelho, e se alguém notou. Essa costuma ser a linha que as pessoas releem no fim da semana.
[Gancho]
Amanhã a gente vai atrás das horas. Aquelas que somem à noite e você nem sabe pra onde foram. Te vejo no dia 5.
DIA 5 — 勿体ない (mottainai), não desperdiçar (~3 min)
[Chamada]
Dia 5. Ontem à noite, entre o jantar e a hora de dormir, teve uma janela. Uma, duas horas ali. Você lembra o que fez com elas? Se a resposta é "sei lá, acho que fiquei no celular", você não está sozinho. Essa é a hora que mais evapora.
[Aula curta]
Os japoneses têm uma palavra pra dor de ver uma coisa boa sendo jogada fora: 勿体ない, mottainai. É o aperto que dá quando uma coisa de valor vai pro lixo. Nem precisa ser dinheiro. A comida que estragou na geladeira. E, sem ninguém falar, o desperdício mais caro de todos: as tuas horas. Aquela hora e meia da noite que dava pra ler, pra tocar um violão que está parado no canto, pra conversar, pra descansar de verdade. Ela vai embora no scroll, todo santo dia, e ninguém sente o mottainai disso.
[A prática do dia · a vitória de hoje]
A prática de hoje é resgatar uma hora, e é hoje à noite. Antes de sentar no sofá, você decide uma coisa, uma só, que você vai fazer com trinta a sessenta minutos da tua noite. Aquilo que você "não tem tempo" de fazer. O livro na cabeceira, o violão, um banho demorado, uma conversa sem pressa. Decide agora qual é. E quando chegar a noite e a mão for buscar o celular pra começar o scroll, você usa a regra e vai fazer a coisa que você escolheu.
A vitória de hoje é uma hora recuperada com nome e sobrenome. Não "fiquei menos no celular". Uma hora que você usou numa coisa que valeu. Você vai deitar hoje sentindo uma diferença meio estranha, boa. É a sensação de um dia que rendeu.
[A folha]
Na folha do dia 5, escreve o que você fez com a hora resgatada. E, se der, como você foi dormir depois. Guarda essa resposta.
[Gancho]
Amanhã a gente cuida do último gatilho, o mais difícil de todos, e o que mais estraga o teu dia seguinte: a última olhada, na cama, antes de dormir. Te vejo no dia 6.
DIA 6 — 数息観 (susokukan), contar a respiração (~3 min)
[Chamada]
Dia 6. Deixa eu adivinhar como costuma ser a tua hora de dormir. Você deita pra descansar. Pega o celular "só pra ver uma coisa rápida". E quando levanta a cabeça pra ver a hora, passou muito mais do que você imaginava, e você nem lembra direito o que viu. A cama virou a maior tela do dia.
[Aula curta]
Tem uma prática de respiração que os monges usam há muito tempo, chama 数息観, susokukan. É simples ao ponto de parecer boba: você só conta a própria respiração. Inspira, um. Expira, dois. Até dez, e recomeça. Só isso. Não tem mágica nenhuma nisso. O que ela faz é dar pra tua cabeça uma coisa mansa pra fazer, no lugar da tela, que de mansa não tem nada. A luz do celular e o scroll dizem pro teu corpo "fica acordado, tem mais". A respiração contada diz "acabou o dia, pode desligar".
Eu não vou te prometer que você vai dormir feito pedra. Cada corpo é um corpo. Mas eu te digo o que é justo esperar: uma última meia hora que acalma, no lugar de uma que acelera.
[A prática do dia · a vitória de hoje]
A prática de hoje é hoje à noite, e tem duas partes. Primeira: a última olhada acontece mais cedo. Escolhe uma hora pra encerrar o celular, e quando ela chegar, encerra. Segunda: leva pra cama a respiração, não o aparelho. Deixa o celular carregando longe do braço, de preferência fora do quarto. Deita, e conta a respiração. Inspira um, expira dois, até dez. Se a cabeça fugir pro "cadê o celular", volta pro um, sem briga.
A vitória de hoje é uma noite em que a última coisa a entrar na tua cabeça foi a tua própria respiração, e não o feed. Uma noite. Você vai sentir a diferença amanhã de manhã.
[A folha]
Na folha do dia 6, marca a hora em que você encerrou o celular e como foi deitar sem ele. Amanhã, no último dia, essa resposta vai fazer sentido.
[Gancho]
Amanhã é o dia 7. O dia de tirar a prova. Você vai printar o teu relatório de novo e botar do lado do print do dia 0. E a gente vai conversar sobre o que fazer com o que você descobriu. Te vejo lá.
DIA 7 — 気づき (kizuki), perceber (~3-4 min)
[Chamada]
Dia 7. Você chegou. E antes de qualquer coisa, para e reconhece isso, porque a maioria das pessoas que começa uma coisa dessas não chega no dia 7. Você chegou.
[Aula curta]
A palavra de hoje é a que amarra a semana toda: 気づき, kizuki. Perceber. Se dar conta. No dia 1 eu te disse que tinha acendido uma luz que não apaga, e que dali em diante você não ia mais conseguir pegar o celular sem perceber. Kizuki é isso. E é a única coisa que você precisa levar pra vida depois que essa semana acabar. Todas as pausas, o gaman, o komorebi, a mesa, a hora resgatada, a respiração, tudo foi treino pra uma coisa só: você voltar a perceber a própria mão. Automático só existe no escuro. Você acendeu a luz.
[A prática do dia · a prova]
A prática de hoje tem duas partes, e a primeira é a mais importante da semana inteira. Pega o celular e abre o relatório de tempo de tela, do mesmo jeito que você fez no dia 0. Tira o print de agora. E bota do lado do print do dia 0, os dois na mesma tela. Olha os dois números.
Seja qual for a diferença, ela é tua. Você não comprou um número meu. Você fez o teu, medido pelo teu próprio aparelho, sem eu segurar régua nenhuma. Se caiu muito, comemora. Se caiu pouco, não desanima: sete dias é sete dias, e o que ficou instalado em você foi a percepção, e ela continua trabalhando depois que eu sumir. O número é só o retrato de um dia; a percepção é o que fica.
A segunda parte é viver o dia de hoje inteiro em kizuki. Percebendo cada vez que a mão vai. Sem meta, sem folha rígida. Só percebendo. Pra você sentir que agora isso é seu.
[A folha · o fecho]
Na folha do dia 7, escreve os dois números e uma linha sobre como você se sente diferente de domingo passado. Não só o tempo de tela. Como você se sente.
E aqui eu preciso ser honesto com você, do jeito que eu seria com um amigo. Você acabou de abrir um espaço. Horas que antes iam pro feed e agora estão vagas. Isso é bom, mas é também o momento mais delicado, porque a gente não gosta de espaço vazio, e a tua mão conhece o caminho de volta. Se nada de bom ocupar essas horas, o automático volta, e costuma voltar mais forte.
Então a pergunta que fica, e é a pergunta certa pra você levar a partir de hoje, não é mais "como eu uso menos o celular". Isso você já sabe. A pergunta agora é maior: com essas horas de volta na tua mão, o que é que você anda com fome de viver? Pensa nisso. Guarda essa pergunta. Ela é o começo do próximo passo.
Obrigado por esses 7 dias. Foi de verdade. A gente se vê por aí.
Handoff — roteiro fechado (0 a 7)
Os 8 vídeos estão escritos no molde travado (calma no setup + vitória-no-mesmo-dia em cada dia + os cinco tempos + gancho encadeado). O Dia 7 entrega a prova (print lado a lado) e abre o open-loop suave pro degrau 3 (o espaço vazio, "o que você anda com fome de viver") sem venda dura e church-quiet (telos invisível, nenhuma doutrina nomeada).
Régua da revisora (24/07) — APROVADO
Passada técnica contra o Manual da Copy v4.4 + anti_ia.md + a lei da voz (Fontes/voz_guilherme.md).
Veredito: aprovado para gravar. Zero exclamação, zero emoji, zero "milenar", zero travessão na
fala. Correções aplicadas:
- Vício 3 ("Não é X. É Y.") em 4 pontos, todos reescritos por afirmação direta: o print do Dia 0 ("não é vergonha, é a prova"), o intervalo do Dia 1 ("não roubou o tempo, ocupou os intervalos"), a onda e o gaman do Dia 2, a respiração do Dia 6. O contraste continua lá; saiu a fôrma.
- Princípios 5 e 15 (especificidade e autoridade concreta): a prova mais forte do Guilherme (5h/dia → 9min, medida no próprio aparelho) não aparecia em nenhum dos 8 vídeos, embora esteja na página de vendas e no ebook. Enxertada no Dia 0, no ponto em que ele pede o print: ele mostra o número dele antes de pedir o do comprador, o que desarma a vergonha por reciprocidade em vez de por consolo. Inclui a linha honesta do "print que não existe" (fundo do poço), fiel ao Bloco 13.
Conferido e mantido como está: promessa proporcional à prova (o Dia 6 recusa prometer sono, o Dia 7 recusa prometer número); limite ético de saúde intacto; zero urgência fabricada; nenhuma menção a garantia ou reembolso em nenhum dos 7 dias; coesão de metáforas ao longo da semana (a onda D1→D2, a luz acesa D1→D7, o placar D0→D7), que é o que segura o arco.
Ajuste do Conselho (Dia 3) já estava resolvido: o parecer 00_conselho/13_PARECER_roteiro_desafio.md
descreve um Dia 3 anterior (tese do olhar cômico, sem gatilho-celular) e pedia reancoragem no
mecanismo. O Dia 3 vigente já nasceu reancorado: gatilho concreto (farol, fila, sala de espera),
Regra Kizuki explícita no corpo e vitória verificável no mesmo dia. Sem pendência.
Observação de direção (não é erro, decisão do dono): os 8 vídeos ficam no registro sereno-profundo, não no confessional-cru que é a casa dele. Não há um palavrão em toda a peça. Para um método de calma vendido a 35-60, a escolha se defende. Fica registrado caso ele queira mais crueza na gravação, que é onde isso se decide de qualquer jeito.
Próximos passos do roteiro:
Régua da voz pelaFEITA (24/07), aprovada — ver bloco acima.revisora- Briefing de gravação (POP 15/16 →
10_gravacao/): lista de tomadas por dia, figurino/cenário coerente com o ensaio POP 41, e a nota de que os wallpapers/folhas aparecem em tela (b-roll) nos dias que os citam. - Dependência de estúdio: a gravação espera a mesma grana do tráfego (decisão do dono). O roteiro fica pronto na gaveta pra o dia do estúdio.
- Checagem de duração: somados,
20-24 min de vídeo (setup ~5 + 7×3). Confere com o formato "aula curta diária" da precificação.
Fonte: products/fora-do-automatico/02_roteiro/roteiro_desafio.md