Roteiro — Fome Sem Fim (curso flagship NTT)
Roteiro — Fome Sem Fim (curso flagship NTT)
Data: 09/07/2026 (reescrito multi-módulo) · Governa: POP 02 (
/roteiro). Formato: curso multi-módulo (o curso É o produto; infoproduto-first). Abertura + Módulo 0 (o motor) + 5 módulos (os 5 degraus do Caminho de Volta) + Fechamento. Sem pitch (não há backend; religa quando A Travessia existir). Preço: R$197. Fonte:01_briefing/concepcao-fome-sem-fim.md+ pesquisas de dor emcontext/. Voz (lei):Fontes/voz_guilherme.md. Confessional-cru, 1ª pessoa, palavrão natural carioca, o cru e o sagrado na mesma frase. A dor se fala em "a gente", nunca "você" (a dor do público é envergonhada; acolhe, não expõe). Autoridade pelo joelho, não pela estante, por especificidade verdadeira (Kyoto, Tóquio, N1, os anos lá, Tōhoku 11/03/2011). Léxico-âncora: "vazio", "esse buraco dentro da gente", "a fome que não preenche", "modo automático", "loop malucão", "no ordinário", "a gente tá junto". Molde concessivo: [conquista], e mesmo assim [vazio]. Piedade do poço: o verbo crítico atinge o achatamento, nunca a pessoa. Sem travessão, sem "não é X, é Y", sem exclamação, sem "milenar", sem "gesto". Prova (regra): mestres traduzidos (itsuwa documentados do catálogosistema-roteiros/conhecimento/) + o mecanismo + personas marcadas como hipotéticas. Sem case de aluno, sem número inventado (Newbie). Mestres livres pelo encaixe; slugs do catálogo indicados pra enriquecer no teleprompter. Cristo: velado. Reabre-se "o alto" no Módulo 5, sem denominação nem catequese ("sem igreja" nunca vira promessa, ver memóriasem-igreja-e-entrada-nao-promessa). O telos católico é esteira adiante.
Ângulo diferencial (espinha, sustentado em M0/M3/M4)
A autoajuda entrega a frase motivacional e some. A igreja, pra muita gente, mandou a gente parar de perguntar. Aqui é outra coisa: os mestres do Japão traduzidos no tamanho original, cada um aplicado a uma dor concreta de agora, com uma prática pra fazer. Porque o vazio não se resolve com mais consumo. Ele se resolve retreinando a fome pro que a enche.
O motor (concepção §3): a gente tem uma fome infinita, feita pro transcendente. O conforto alimenta ela de finito. O finito nunca enche, mas dopa: deixa a fome quieta o bastante pra gente esquecer que ela existe. O órgão que percebe o além atrofia de desuso. E o laço gira: consome, alívio curto, vazio, consome mais.
Nota de transições (vale pra todo o roteiro): nenhuma emenda entre itens ou módulos pode ser seca. Cada passo fecha o anterior (retoma o que ficou) e prepara o próximo (planta a deixa). As pontes críticas já estão marcadas (credibilidade→problema no M0; o Deserto entre M4 e M5); na passada de desenvolvimento do script, escrever as demais com o mesmo cuidado.
ABERTURA (curta, ~6-8 min)
Objetivo: fisgar pela víscera (universal, em "a gente"), validar a compra, dizer quem conduz (pelo joelho), mostrar o mapa como pontos cegos. Não dizer a duração total (assusta). Entrar direto, sem cumprimentar.
| Elemento | Fala-guia (na voz, pontos-chave) |
|---|---|
| Hook visceral (universal) | Entrar direto. "Tem uma hora do dia, quase sempre quando a casa fica quieta, que bate. Um buraco dentro da gente. Uma fome sem nome que a gente passou a vida tentando encher, de mil jeitos, e ela sempre volta." Sem pressupor "vida boa no papel": pega tanto quem tem tudo quanto quem acha a vida uma merda. É o buraco, que é de todo mundo. |
| Validação | "Se você tá aqui, você fez uma coisa que quase ninguém faz: em vez de tapar esse buraco com mais uma coisa, você resolveu olhar pra ele. Isso já é raro pra caralho, e é por aí que a gente começa." |
| Quem conduz (joelho, não estante) | Curto. "Eu não vim te dar palestra. Eu cheguei nisso de joelho, antes de entender. Passei uns anos no Japão, Kyoto, Tóquio, mergulhado nesse mundo. O que eu trago aqui é o que ficou dentro de mim, e que quase ninguém tem acesso." (detalhe em M0) |
| Mapa como ponto cego | "Tem uma coisa bem na tua frente te sabotando faz tempo, e a gente não vê. Nesses módulos você vai enxergar ela, e vai ganhar cinco movimentos pra sair do loop: ver a fome, parar de alimentar ela errado, encarar o que aparece, soltar um peso, e reabrir uma coisa que o conforto tinha apagado." |
| Antecipa o 1º ganho | "Já no primeiro módulo você vai fazer comigo uma coisa de cinco minutos que muda como você enxerga tudo o que você consome. E não desfaz depois." |
Anti-reembolso: o "recibo emocional". "Você fez uma coisa rara" ativa consistência.
Não fazer: não cumprimentar; não abrir por estatística nem por "o filósofo fulano" (víscera primeiro, memória hook-visceral-antes-do-dado); não dizer "são 80 minutos".
MÓDULO 0 — A Máquina da Fome (o motor) + quem sou eu (~12-15 min)
Objetivo: dar o modelo da máquina (estilo Marsili: realoca o problema pra baixo, mostra a engrenagem, e o método cai do modelo). Construir autoridade pela travessia. Demolir a falsa crença nº 1.
| Elemento | Fala-guia |
|---|---|
| Credibilidade + motivação (messiânica clara, sem nomear monge) | "A minha formação é teológica, e ela veio dentro da Igreja Messiânica. Foi ali que eu me formei e pude estudar muita coisa no idioma original, coisa que a maioria nunca vai ler porque tá trancada por idioma e por tradição. Eu honro essa casa, sem cuspir no prato que comi e sem babar ovo de ninguém: peguei o que era bom e sigo em frente. E, nas minhas andanças pelo Japão, eu pude visitar templos, conhecer inclusive monges que administravam templos, ouvir de perto sobre o budismo e sobre os mestres, no tamanho original. Tudo isso me deu acesso a coisas valiosíssimas, que ficaram dentro de mim. E eu cheguei numa conclusão simples: se eu não abrir a boca pra passar isso adiante, morre tudo aqui comigo. É tanta coisa válida que eu resolvi abrir a boca. Esse curso é isso, eu abrindo a boca." (Mibu-san é referência interna, não citar em 1ª pessoa; messiânica fica CLARA) |
| Ponte (credibilidade → o problema) | Fechar a credibilidade emendando no próximo passo, sem corte seco. "E a primeira coisa que eu preciso te passar é a que mais me custou entender, porque ela desmonta uma mentira que quase todo mundo engole sobre esse buraco." |
| Falsa crença nº 1 (demolir) | "A maioria acha que esse vazio é falta de mais alguma coisa. Mais uma conquista, mais uma compra, mais fé, mais disciplina. Repara no que acontece de verdade: a gente já conseguiu várias dessas coisas, e o buraco voltou toda vez." |
| A máquina (o reframe) | "O problema tá mais embaixo. A gente tem uma fome que é infinita, ela foi feita pra uma coisa que não acaba. E a gente vem alimentando ela de coisa que acaba. O finito nunca enche essa fome. Mas ele dopa: deixa ela quietinha o suficiente pra você esquecer que ela tá aí. Aí o órgão que sentia o além vai atrofiando, de tanto não usar. E o loop malucão gira: consome, alívio de três dias, vazio de novo, consome mais." |
| O gaki (o retrato do motor) | O gaki 餓鬼, o espírito faminto dos infernos budistas: barriga de montanha, garganta fina como uma agulha. Come sem parar e nunca sacia. No relato do preta rico, a comida vira fogo na mão dele. "Esse é o retrato exato da gente dopando uma fome infinita com finito." (conceito: conceitos/gaki) |
| Ikkyu e o crânio | Ikkyū saindo no Ano Novo com um crânio na ponta de um bastão, no meio da festa, mostrando pra todo mundo. O aviso cru: olha o que a gente é de verdade, para de fugir disso. (itsuwa: ikkyu_cranio_ano_novo) |
| A saída (cai da máquina) | "Se a máquina é essa, o caminho cai sozinho: parar de dopar, retreinar o órgão que atrofiou, e reapontar a fome pro que enche ela. É isso que a gente vai fazer, um degrau de cada vez, com um mestre na mão em cada um." |
Anti-reembolso: em tráfego frio o comprador não pesquisou o expert; este módulo substitui semanas de orgânico. Não fazer: não citar Okada (voz doc: não dar palco); não listar diploma em lista; a estatística real (os "sem religião que creem") entra só se precisar, como contexto, nunca como resultado do método.
MÓDULO 1 — Ver a Fome Dopada (degrau 1) · ~12 min
Estado (Trilha nível 1): dormindo, culpava a próxima meta; começa a suspeitar da anestesia. Objetivo: enxergar a máquina no próprio caso. Quick win aqui (o ganho tangível cedo).
| Elemento | Fala-guia |
|---|---|
| O ensino | "Antes de parar, a gente precisa ver. Anestésico é tudo o que dá alívio curto e deixa a gente com o mesmo buraco depois." |
| Os exemplos no nível do "isso sou eu" (você pediu detalhe) | Descer ao concreto, um por um, pra pessoa se reconhecer: a compra por tédio numa noite de domingo, o carrinho cheio que some a vontade quando chega; o prato a mais que a gente come sem fome, só pra sentir algo; a aposta na madrugada atrás da fisgada de risco; o feed rolando sozinho no automático; a próxima meta no trabalho que ia ser "a" conquista e durou uma semana. "Repara qual desses é o teu." |
| Demonstrar | Guilherme preenche o inventário na tela, com um exemplo próprio e honesto. Três colunas: o anestésico · quanto durou o alívio · o que sobrou depois. |
| Prática (pause e faça) | "Pausa. Abre a folha do Inventário da Fome Dopada. Escreve três coisas com que a gente se dopa, quanto dura o alívio de cada uma, e o que sobra depois. Volta quando terminar." |
| Reforço (anti-reembolso) | "Se você fez, você acabou de ver uma coisa que ficou escondida a vida inteira: nenhum deles encheu. Isso sozinho já pagou o que você investiu aqui." |
Ferramenta: Inventário da Fome Dopada (1 pág, 3 colunas). Critério pra avançar: aponta 3 anestésicos e admite que nenhum encheu.
MÓDULO 2 — Parar de Dopar (degrau 2) · ~15 min
Estado (nível 2): começou o jejum do efêmero, sente o desconforto. Objetivo: tolerar o vazio sem correr pro anestésico. Mestre: Takuan. Aqui dói (o desconforto que não mata, do Marsili). Demolir falsa crença nº 2.
| Elemento | Fala-guia |
|---|---|
| O ensino | "Ver não muda nada sozinho. O primeiro movimento é parar de correr pro anestésico no primeiro desconforto. E isso incomoda, porque a gente tirou a muleta." |
| Falsa crença nº 2 (demolir) | "O segundo erro é achar que a gente tem que dar conta disso na força de vontade, sozinho, apertando o parafuso. Se força de vontade resolvesse, já tinha resolvido. O caminho é retreinar um músculo que atrofiou, não apertar mais o parafuso." |
| O mestre (Takuan, documentado) | O manto púrpura (紫衣事件): o xogunato Tokugawa, de canetada, anulou uma honra que só o imperador dava aos monges de mais alto mérito. Quase todos calaram, tinham cargo e imagem a perder. Takuan não: protestou por princípio, e foi exilado três anos pro norte gelado. E o fino: quando a anistia veio e o mesmo xogum passou a enchê-lo de honras, ele continuou o mesmo, sem se dobrar na queda nem se embriagar na subida. "Ele podia enfrentar o homem mais poderoso do Japão porque não morava em nenhuma posição que o poder pudesse confiscar. Ele não tinha refém." (itsuwa: takuan_veste_purpura, camada documentado) |
| A ponte pra dor de hoje | "A gente cala, aguenta o que não devia, corre pro anestésico, porque tem refém demais: uma imagem, um conforto, um alívio que a gente não quer perder. Parar de dopar é largar um refém de cada vez." |
| Prática guiada (a Pausa de Dois Minutos) | "Abre o Guia da Pausa de Dois Minutos. É Takuan reduzido ao que cabe na tua segunda de manhã, antes de abrir o celular: dois minutos sentado, deixando o desconforto aparecer, sem correr pra tapar. Faz comigo agora, de verdade. Depois anota teu horário-gatilho." |
| Reforço | "Você acabou de fazer, de graça e em dois minutos, o que a ansiedade te empurrava a resolver com consumo. Isso é o músculo voltando." |
Ferramentas: Guia da Pausa de Dois Minutos + Plano de Corte de 24h (escolher UM anestésico do inventário, cortar por 24h, colocar um substituto de presença). Critério: passa por tédio/ansiedade sem correr pro consumo.
MÓDULO 3 — Encarar a Fome Real (degrau 3) · ~15 min
Estado (nível 3): parou de anestesiar, a dor real apareceu. Objetivo: olhar o sofrimento de frente, com o mestre, aplicado à SUA dor. Mestre: Hakuin (Musashi/cavalo doido cai, é ficcional).
| Elemento | Fala-guia |
|---|---|
| O ensino | "Quando a gente para de dopar, uma coisa aparece: a fome de verdade, e a dor que estava embaixo dela. É aqui que quase todo mundo corre de volta pro anestésico. O terceiro movimento é encarar o que aparece, sem fugir." |
| O mestre (Hakuin) | Contar como "conta a tradição": um samurai procura Hakuin pra perguntar se existe céu e inferno, onde ficam os portões. Hakuin o provoca, humilha ("você, samurai? com essa cara?"), até o homem sacar a espada de raiva. E Hakuin, calmo: "aqui se abrem os portões do inferno". O samurai congela, entende, embainha a espada e se curva. E Hakuin: "aqui se abrem os portões do céu". Os dois portões estavam na mão dele, naquele segundo. O sagrado e o infernal não moram num outro mundo. Se decidem no instante mais cru, agora. (itsuwa hakuin_portoes_samurai, camada folclore: o samurai é chamado Nobushige; não consta do corpus, contar como tradição, não como fato) |
| A ponte pra dor de hoje | "A dor que aparece quando a gente para de fugir, um luto, uma ansiedade de domingo à noite, uma decisão travada faz meses, não é pra tapar. É pra atravessar de olho aberto. O céu e o inferno da tua vida se decidem em como você encara esse instante, não em outro lugar." |
| Prática | Aplicar à dor concreta de cada um: nomear a situação que a gente vem fugindo, e dar o primeiro passo de encará-la esta semana (uma conversa adiada, um sentimento evitado, uma decisão empurrada). |
Critério: enfrenta uma situação concreta que antes fugia, e sabe o que fazer diante dela. Nota: Cristo segue velado; nada de denominação. Só a dor encarada de frente.
MÓDULO 4 — Soltar a Ilusão (degrau 4) · ~14 min
Estado (nível 4): larga o controle e o apoio falso. Objetivo: abrir mão de se encher sozinho. Mestre: Shinran (a entrega, o cansaço de se salvar sozinho).
| Elemento | Fala-guia |
|---|---|
| O ensino | "Tem um ponto em que encarar vira cansaço: a gente se dá conta de que não vai dar conta disso na força, sozinho, empurrando. E aí o movimento inverte. Não é apertar mais. É soltar." |
| O mestre (Shinran) | Vinte anos no Monte Hiei, o topo do budismo do Estado, ralando o esforço próprio (o jiriki): meditação, disciplina, prática correta levada ao limite. E, no fim de tudo, nenhuma paz. Aos 29 anos, encurralado (fez tudo certo, no lugar mais alto, e não chegou), ele se tranca cem dias num templo de Kyoto, o Rokkakudō, e sai dali direto pra bater na porta de Hōnen. E o que Hōnen ensina demole tudo o que ele tentou por vinte anos: você não se salva sozinho. O giro dele é do jiriki pro tariki (a força de fora, a graça): parar de escalar a si mesmo e se deixar carregar. "O fim da força própria não é derrota. É onde a mão se abre." (itsuwa shinran_rokkakudo, camada tradição: o retiro e a ida a Hōnen são firmes, cartas da esposa Eshinni; a visão de Kannon é hagiografia, deixar de fora; conceito tariki) |
| ⚠️ Disclaimer (o akunin shoki, cuidado obrigatório) | A frase mais famosa do Shinran (se até o bom homem é acolhido, quanto mais aquele que sabe que falha) é fácil de ler errado, como se desse licença pra pecar à vontade. O próprio Shinran passou a vida combatendo essa leitura. O ponto não é "faz o que quiser porque tá tudo perdoado". Soltar o controle não é soltar a responsabilidade. Quem larga a ilusão de se salvar sozinho é justamente quem se abre pra ser carregado. Se for usar a frase, usar com esse cuidado dito em voz alta; na dúvida, deixar de fora e ficar só no jiriki→tariki. |
| A ponte pra dor de hoje | "A ilusão que a gente segura é a de que, com mais um esforço, mais uma conquista, mais um controle, a gente enche isso sozinho. Soltar é largar uma muleta que a gente jura que sustenta a gente, e descobrir que dá pra ficar de pé sem ela." |
| Prática | Identificar UMA muleta concreta (uma imagem que você sustenta, um controle, uma aprovação que você persegue) e soltar ela por um período combinado, sem desabar. |
Critério: solta uma muleta concreta e não desaba. Cristo: ainda velado; a "força de fora" fica no registro da entrega/graça, sem nomear denominação (a porta se abre no fim, dentro, na esteira).
INTERLÚDIO — O Deserto (entre soltar e reabrir) · ~4-5 min
Por que existe (você pediu): quando a gente para de dopar, encara e solta, não vem paz na hora. Vem desconforto, e não é pouco. A realidade sem anestésico fica crua e pesa. É automático: tirou a droga, a abstinência aparece. Se isso não for dito, a pessoa acha que fez algo errado e corre de volta pro anestésico bem na véspera de reabrir. Este beat honra esse peso antes do alívio do Módulo 5.
| Elemento | Fala-guia |
|---|---|
| Nomear o desconforto | "Eu não vou te enganar. Quando a gente para de dopar, a primeira coisa que vem não é alívio. Vem desconforto. A realidade sem o anestésico fica crua, e incomoda pra caralho. As coisas ao redor, que a droga deixava embaçadas, aparecem inteiras, e nem todas são bonitas." |
| Reenquadrar (é sinal de que funciona) | "Isso é abstinência. É o corpo reclamando da droga que você tirou. Não é sinal de que deu errado. É sinal de que tá funcionando. Quase todo mundo desiste aqui, e volta a se dopar bem na porta da virada." |
| Ponte pro M5 | "Aguenta o deserto. Não corre. Porque é bem do outro lado dele que uma coisa começa a voltar." |
MÓDULO 5 — Reabrir o Alto (degrau 5) · ~14 min
Estado (nível 5): o órgão retreinado percebe o além no comum. Objetivo: redirecionar a fome, viver desperto. Mestre: Dōgen (o sagrado no ordinário).
| Elemento | Fala-guia |
|---|---|
| O ensino | "Do outro lado do deserto, uma coisa devagar começa a voltar: a gente sente peso no comum de novo. A luz da tarde. O rosto de quem a gente ama. Um silêncio que antes era insuportável. É o órgão voltando a funcionar." |
| O mestre (Dōgen) | Dōgen atravessou o mar até a China cheio de desprezo pelo trabalho braçal: monge culto, buscando a verdade elevada, sutra e meditação; o resto era distração. Um velho cozinheiro (o tenzo) o desmontou. O velho tinha andado quilômetros sob o sol forte só pra comprar cogumelos secos. Dōgen o convidou a ficar e conversar sobre o Dharma; o velho recusou, tinha que preparar a refeição. Dōgen insistiu: por que o senhor, tão velho e experiente, ainda faz trabalho de cozinha, por que não deixa outro fazer? Duas respostas que Dōgen carregou a vida inteira: "os outros não são eu" (a Via não se terceiriza, ninguém pratica no teu lugar) e "se não agora, quando?" (não existe momento mais nobre esperando lá na frente). O caminho não estava numa nuvem. Estava no arroz, feito inteiro, agora. (itsuwa dogen_tenzo, camada documentado, do próprio Dōgen no Tenzo Kyōkun; conceitos shikantaza, uji) |
| Reabrir o alto (velado) | "A fome que estava dopada e dormindo, quando ela desperta, ela aponta. Pra um peso no ordinário que a gente tinha deixado de ver. E, se você deixar, ela aponta mais longe ainda, pro alto que o conforto tinha apagado. Sem misticismo, sem promessa de iluminação. Só a fome voltando pro tamanho dela e pro lugar dela." |
| Prática | Uma prática de presença no ordinário: escolher uma coisa comum do dia (o café que você faz pra alguém, a caminhada, o banho) e fazer ela inteira, presente, uma vez por dia. Apontar, no fim da semana, o comum que voltou a ter peso. |
Critério: aponta o comum que voltou a ter peso; começa a viver intencional, não no automático.
FECHAMENTO (~5 min)
Objetivo: completude, reforço da travessia, direção genérica. Sem pressão, sem escassez, sem pitch.
| Elemento | Fala-guia |
|---|---|
| Value stack | "Recapitula o que a gente tem agora: o nome do que você sentia; o Inventário da Fome Dopada; a Pausa de Dois Minutos na tua segunda; o mapa dos cinco degraus com os mestres traduzidos; e um caminho pra encarar, soltar e reabrir. Um retiro que promete menos que isso custa mais de oitocentos reais." |
| Reforço da travessia | "Você entrou aqui com uma fome sem nome. Sai com o nome dela, com uma prática pra hoje, e com um mapa pra atravessar. A fome que mandava em você no automático agora tem pra onde ir." |
| CTA genérico (sem venda) | "O próximo passo é simples: cumpre teu corte de 24h e faz a pausa amanhã de manhã. Isso continua na tua semana, um dia de cada vez. A gente tá junto." |
Anti-reembolso: nada que lembre garantia ou prazo; completude, não venda. Sobre o pitch: cortado nesta versão (infoproduto-first, sem backend ativo). Quando A Travessia (degrau 2 da esteira) existir, entra aqui uma ponte suave pra ela, no tom de servir, como próximo passo lógico de quem já fez a travessia. Até lá, o fechamento acima basta.
Materiais a produzir (para POP 15 / apoio técnico)
- Inventário da Fome Dopada (1 pág, 3 colunas). Módulo 1.
- Guia da Pausa de Dois Minutos (1 pág: a prática de Takuan + horário-gatilho). Módulo 2.
- Plano de Corte de 24h (½ pág: anestésico cortado + substituto de presença). Módulo 2.
- Mapa dos Cinco Degraus (1 pág: o Caminho de Volta com o mestre de cada degrau). Curso inteiro.
- (Opcional) folhas de prática de M3 (encarar), M4 (soltar a muleta), M5 (presença no ordinário).
Mestres por módulo (do catálogo, para o teleprompter)
| Módulo | Mestre | itsuwa/conceito (slug) | Camada |
|---|---|---|---|
| M0 | gaki + Ikkyū | conceitos/gaki · ikkyu_cranio_ano_novo |
documentado |
| M1 | o gaki (espelho) | conceitos/gaki |
documentado |
| M2 | Takuan | takuan_veste_purpura |
documentado |
| M3 | Hakuin | hakuin_portoes_samurai (samurai Nobushige) |
folclore (contar como "conta a tradição") |
| M4 | Shinran | shinran_rokkakudo · tariki |
tradição (visão de Kannon fora) |
| M5 | Dōgen | dogen_tenzo · shikantaza · uji |
documentado |
Musashi/cavalo doido removido (ficcional). Os três acima foram conferidos no catálogo (09/07). Regra de honestidade na gravação: folclore/tradição se conta como "conta a tradição", nunca como fato documentado.
Checklist de revisão (Self 1)
- Hook universal, em "a gente", pela víscera (não pressupõe "vida boa no papel"; sem "80 min"; sem estatística de abertura).
- Voz confessional-cru aplicada; dor em "a gente"; autoridade por especificidade real (Mibu-san, Kyoto/Tóquio/N1), não por diploma listado; sem Okada.
- Motor dado como máquina (M0); 2 falsas crenças demolidas (M0 o vazio-como-falta; M2 a força-de-vontade).
- Quick win tangível cedo (M1) + "isso sozinho já pagou o investimento".
- Cada módulo: 1 mestre (itsuwa documentado) + prática + critério de conclusão.
- Musashi ficcional fora. Camadas conferidas: Takuan e Dōgen documentados; Shinran tradição (visão de Kannon fora); Hakuin folclore (contar como "conta a tradição", Guilherme confirma se aceita esse nível).
- Formação messiânica CLARA no M0 (honra sem babar ovo); Mibu-san não citado em 1ª pessoa; motivação = "abrir a boca ou morre comigo".
- Transições não secas: cada módulo emenda no anterior e prepara o próximo (Nota de transições).
- Shinran com disclaimer (não vira licença pra pecar); akunin shoki só com cuidado dito ou fora.
- O Deserto (desconforto de não dopar) nomeado entre M4 e M5.
- Cristo velado; "o alto" reabre em M5 sem denominação; "sem igreja" não vira promessa.
- Sem pitch; fechamento por completude, sem pressão.
- Sem travessão, sem "não é X, é Y", sem exclamação, sem "milenar", sem "gesto".
- Passada de voz final conferida contra
Fontes/voz_guilherme.md.
Transição
Roteiro aprovado → POP 15 (briefing de gravação) · POP 07 (página de vendas) · POPs 03–05 (criativos) · POP 08 (order bump).
Fonte: products/fome-sem-fim/02_roteiro/roteiro.md