João Batista, o precursor
João Batista é o arquétipo do que prepara o caminho e depois se apaga. "Eu não sou o Cristo, mas fui enviado adiante dele" (Jo 3,28); "é necessário que ele cresça e que eu diminua" (Jo 3,30); "eu sou a voz do que clama no deserto: endireitai o caminho do Senhor" (Jo 1,23). O maior "entre os nascidos de mulher" (Mt 11,11) é justamente o que existe para apontar outro e sair de cena. E Jesus generaliza a lógica: "um é o que semeia, e outro o que colhe" (Jo 4,37); Paulo a repete no campo: "eu plantei, Apolo regou, mas Deus deu o crescimento… o que planta e o que rega são uma só coisa" (1Cor 3,6-9). A dignidade de ser a ponte, não o destino; de plantar o que outra mão vai colher.
Rima com: Eisai — o forerunner do Zen japonês: trouxe da China a semente (o Rinzai) e o chá, fundou o Kennin-ji, e a colheita veio por outras mãos e outros séculos — o Sōtō de Dōgen (formado por Myōzen, sucessor de Eisai), o Rinzai revivido de Hakuin, o caminho do chá de Rikyū. A própria linha Ōryū que ele trouxe secou; ele preparou o terreno e não viu o florescimento (ver eisai_semente). A mesma humildade de quem faz o trabalho de base e cede o palco.
Racha: João diminui diante de uma Pessoa — aponta "o Cordeiro de Deus" (Jo 1,29), apaga-se ante Cristo que vem; o "eu diminuo" é ato de adoração e testemunho de um Ele concreto que o precursor conhece e ama. Em Eisai o preparar-o-caminho é histórico e institucional — semeia uma tradição que segue sem ele, não anuncia um Salvador que chega; não há um "Ele" pessoal a quem entregar o protagonismo, há uma corrente que o ultrapassa. A humildade do que planta e não colhe rima quase idêntica; o Alguém diante de quem João se apaga não tem par no lado budista.
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Fonte: conhecimento/catolico/precursor.md