翻訳不能 Não Tem Tradução Central de Produção

As obras de misericórdia corporais

As obras de misericórdia corporais / enterrar os mortos e cuidar dos enfermos

A tradição cristã que mede a fé pelo cuidado concreto com o corpo do próximo — não só pela crença ou pela oração. As sete obras de misericórdia corporais: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, acolher os peregrinos, visitar os enfermos, visitar os presos e enterrar os mortos. O fundamento é o mais radical do Evangelho: Mt 25,31-46 — "tive fome e me destes de comer… cada vez que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes." O pobre não é só destinatário da caridade: é o disfarce de Cristo. E "a fé sem obras é morta" (Tg 2,17). No Antigo Testamento, o ícone é Tobias, que no exílio arrisca a vida pra recolher e sepultar os judeus mortos largados nas ruas (Tb 1,17-19). Na história da Igreja, a linhagem dos santos que abraçaram o pestilento e o intocável: João de Deus e Camilo de Léllis (os doentes), Damião de Molokai (que virou leproso entre os leprosos), as Confrarias da Misericórdia que sepultavam os indigentes.

Rima com: Kūyao santo do mercado que recolhia os mortos abandonados, os cremava e rezava sobre eles nas pestes de Kyoto. O paralelo com Tobias é quase cena por cena, do outro lado do mundo: enterrar o morto que ninguém quis, arriscando-se, porque nenhum ser humano é lixo. A compaixão de mãos sujas — tocar o corpo que ninguém quer tocar — é irmã gêmea nos dois mundos.

Racha: em Kūya, o nembutsu recitado sobre o morto e o cuidado com o doente visam o renascimento dele na Terra Pura — a lógica é a do mérito e do Voto de Amida, dentro do ciclo dos renascimentos. Nas obras de misericórdia cristãs, servir o miserável é encontrar o próprio Cristo escondido nele (Mt 25): a caridade não é transferência de mérito, é relação com uma Pessoa, e funda-se na dignidade infinita de cada um como imagem de Deus, com um corpo destinado à ressurreição — por isso o cadáver do pobre importa. Mesmas mãos ajoelhadas ao lado do abandonado; sob elas, teologias diferentes. Mas o gesto é o mesmo, e é dos mais bonitos do banco: a fé que desce e toca.

Citado por: (backlinks abaixo, no Obsidian)

Fonte: conhecimento/catolico/obras-de-misericordia.md