Graça × obras
Ef 2,8-9: "Pela graça fostes salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não das obras, para que ninguém se glorie." Agostinho contra Pelágio: ninguém arranca a própria salvação pela força — a graça é preveniente, primeira, gratuita. A fé, ela mesma, é dom (CIC §153).
Rima com: tariki (Shinran) — a salvação como obra do outro, não do mérito próprio; o akunin shōki ("o mau é o primeiro salvo") ecoa Mt 9,13, o publicano de Lc 18 e o sola gratia. A âncora acadêmica forte é Karl Barth (Church Dogmatics I/2, §17), que tomou o Jōdo Shinshū de Hōnen e Shinran como o paralelo pagão mais exato do cristianismo da Reforma — uma religião de pura graça.
Racha (triplo, e é o nervo do assunto):
- Amida não é o Deus pessoal criador. O tariki opera numa cosmologia de vazio, não numa aliança com Alguém que ama e nomeia. A graça cristã é relação, não mecânica.
- Trento condena os dois extremos. O Decreto sobre a Justificação barra o pelagianismo (salvar-se pela obra) e o monergismo puro (a graça que anula a liberdade): a graça é primeira e gratuita, mas liberta uma liberdade que coopera de verdade. O católico não é "eu me salvo" nem "eu sou salvo passivo" — é dom que a vontade abraça. Aqui o Shinran está mais perto de Lutero do que de Roma.
- A graça não licencia o pecado. "Permaneceremos no pecado para que abunde a graça? De modo nenhum" (Rm 6,1-2). O próprio Shinran teve de combater os que se gabavam do Voto (本願誇り) — a mesma tentação antinomiana, o mesmo remédio.
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Fonte: conhecimento/catolico/graca-e-livre-arbitrio.md