Dai a César
Mt 22,21: "Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus." Rm 13,1: "Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores." E o contrapeso: At 5,29, "é preciso obedecer a Deus antes que aos homens". A tradição costurou os dois numa distinção entre ordem temporal e ordem espiritual: os dois reinos (Agostinho, Cidade de Deus; depois Lutero, Zwei-Reiche-Lehre) e as duas espadas (o papa Gelásio I; Bonifácio VIII, Unam Sanctam). Nem teocracia que confunde altar e trono, nem fé serva do Estado.
Rima com: o 王法仏法 / 王法為本 (ōbō-buppō / ōbō ihon) de Rennyo — as "duas leis": por fora obedecer ao soberano (pagar imposto, respeitar o senhor), por dentro guardar a lei do Buda. Análogo funcional genuíno da distinção cristã. E toca Takuan pelo pólo oposto: Takuan resiste ao xogum em nome de uma lei mais alta (At 5,29); Rennyo prega submissão à ordem civil (Rm 13). As duas faces do mesmo problema.
O racha mais rico (fé × poder, quando a base pega em armas): Rennyo prega submissão e seus seguidores fazem teocracia armada em Kaga (os Ikkō-ikki, 1488). Espelho quase exato de Lutero e a Guerra dos Camponeses de 1525, com Thomas Müntzer: o reformador dá a linguagem da libertação espiritual e recua horrorizado quando vira revolta armada. Rennyo : Ikkō-ikki :: Lutero : Müntzer. A tensão entre Rm 13 (submissão) e as teologias da resistência é permanente no cristianismo — e o discernimento católico nunca dissolve altar em trono nem em barricada.
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Fonte: conhecimento/catolico/dai-a-cesar.md