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O Cordeiro que vence sendo morto, não matando

O Cordeiro que vence sendo morto, não matando / a vida que se dá através da morte / o Rei que triunfa na Cruz

O eixo evangélico da vida que se dá através da morte — mas ao contrário de toda lógica de força: o Rei que triunfa sendo morto, e não matando ninguém. A imagem-âncora é o Apocalipse: João chora porque ninguém é digno de abrir o livro selado, e lhe anunciam o "Leão da tribo de Judá" — e quando ele se volta para ver o Leão, o que vê é um Cordeiro, de pé, como que imolado (Ap 5,6). O vencedor do cosmos não é um leão que despedaça; é um Cordeiro degolado que está de pé. É Ele o digno de abrir o livro, "porque foste imolado e com teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo" (Ap 5,9). A vitória tem a forma de um cordeiro morto.

Toda a Escritura converge para essa figura. O Bom Pastor que "dá a vida pelas ovelhas" — e não a tira de ninguém: "ninguém ma tira, eu a dou" (Jo 10,11.18). O Servo sofredor de Isaías, que salva carregando a dor, não infligindo-a: "como cordeiro levado ao matadouro… ferido por causa das nossas transgressões" (Is 53). O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1,29), a Páscoa imolada (1Cor 5,7), o cordeiro sem defeito cujo sangue resgata (1Pd 1,18-19). E a lei do grão: "se o grão de trigo não cair na terra e morrer, fica só; mas se morrer, dá muito fruto" (Jo 12,24). A vida brota da entrega, não da conquista: Cristo "esvaziou-se… fez-se obediente até a morte de cruz; por isso Deus o exaltou" (Fp 2,6-11). O caminho da vida passa pela morte — mas a própria morte, entregue, não a morte do outro, infligida.

Rima com: Yagyū Munenori e o katsujinken, "a espada que dá vida" (ver yagyu_katsujinken) — um dos pares mais ricos do banco. Os dois falam de uma vida que se dá através da morte, e a rima é real e funda: contra a violência que só destrói (o satsujintō), Yagyū e o Cordeiro colocam uma morte que gera vida. A intuição de que a vida mais alta se dá entregando-se, e não se poupando, é partilhada — e admirável.

Racha, e é o timbre: Yagyū dá vida matando um — a espada tira uma vida (a do tirano, do agressor) para dar vida aos muitos; a mão que salva é a que corta. O Cordeiro dá vida sendo morto — entrega a própria vida, e vence não matando ninguém, mas morrendo; a mão que salva é a que se deixa trespassar. Matar-um-para-salvar × morrer-para-salvar. E o par pronto do eixo da força, "todos os que pegam a espada, pela espada morrerão" (Mt 26,52): no Getsêmani, quando a espada tem a melhor justificativa possível, o Reino a manda embainhar, e o Rei entra desarmado e perdoa quem o mata. A "espada que dá vida" e o "Cordeiro que dá a vida" soam quase iguais até você olhar de quem é o sangue: no katsujinken, o sangue é do outro; na Cruz, é do próprio Rei. O que a marca herda: a beleza da vida que se dá, a força que se gasta pelos muitos — e o "não tem tradução" no seu ponto mais afiado: salvar tirando outra vida × salvar entregando a Sua.

Citado por: (backlinks abaixo, no Obsidian — reutilizável: par natural de katsujinken e de os-que-vivem-da-espada para todo samurai do banco que faz da força uma via; e do eixo da entrega/kenosis — Fp 2, Jo 12,24 — onde o esvaziar-se aparece, como em musashi_vazio)

Fonte: conhecimento/catolico/cordeiro-imolado.md